
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Autógrafos Ficção de Polpa, Vol.3
Mais uma sessão de autógrafos de Ficção de Polpa, Vol. 3. Para quem, como eu, não foi na primeira vez (a noite mais chuvosa dos últimos 100 anos de Porto Alegre =P), aí está uma oportunidade imperdível. Badalação, piadas literárias e eu, caneteando bonito autógrafos inesquecíveis. Abaixo, o serviço. Espero vocês lá!

sábado, 24 de outubro de 2009
Flight of the Conchords
Também publicado no BlackBox.
Flight of the Conchords é uma comédia que segue o dia a dia de uma banda folk neozelandesa, composta por duas pessoas que vão para Nova Iorque tentar fazer nome no mundo da música. Os neozelandeses Bret McKenzie e Jemaine Clement são guitarristas e vocalistas da banda. Eles se mudam para Nova Iorque na tentativa de construir uma carreira de sucesso. Até agora eles conseguiram encontrar um agente (que tem um "outro" emprego no Consulado da Nova Zelândia), uma fã (uma mulher casada e obsessiva) e um amigo (que é dono de uma casa de penhores local) - mas não conseguiram muito mais além do que isso. Elogiada pela crítica, a série foi criada por James Bobin (de "Da Ali G Show") e pelos próprios atores Jemaine Clement e Bret McKenzie.
O grande lance é que na série, os atores interpretam a eles mesmos, em uma versão menos bem-sucedida, já que, na real, os atores-músicos já emplaram discos com sucesso (pelo legendário selo Sub Pop).
Vai um pouco no naipe de The Lonely Island, do qual falarei aqui em breve: comédia de primeira aliada à uma composição musical muito esmiuçada. Os temas são típicos dos humor estadunidense, mas a qualidade das músicas é primorosa, com pegada - um cuidado que vai muito além do mero pastiche musical, ou somente da paródia, coisas que foram muito usadas na comédia.
Abaixo, um trecho do episódio 05 da primeira temporada, denominado Sally Returns.
Flight of the Conchords é uma comédia que segue o dia a dia de uma banda folk neozelandesa, composta por duas pessoas que vão para Nova Iorque tentar fazer nome no mundo da música. Os neozelandeses Bret McKenzie e Jemaine Clement são guitarristas e vocalistas da banda. Eles se mudam para Nova Iorque na tentativa de construir uma carreira de sucesso. Até agora eles conseguiram encontrar um agente (que tem um "outro" emprego no Consulado da Nova Zelândia), uma fã (uma mulher casada e obsessiva) e um amigo (que é dono de uma casa de penhores local) - mas não conseguiram muito mais além do que isso. Elogiada pela crítica, a série foi criada por James Bobin (de "Da Ali G Show") e pelos próprios atores Jemaine Clement e Bret McKenzie.
O grande lance é que na série, os atores interpretam a eles mesmos, em uma versão menos bem-sucedida, já que, na real, os atores-músicos já emplaram discos com sucesso (pelo legendário selo Sub Pop).
Vai um pouco no naipe de The Lonely Island, do qual falarei aqui em breve: comédia de primeira aliada à uma composição musical muito esmiuçada. Os temas são típicos dos humor estadunidense, mas a qualidade das músicas é primorosa, com pegada - um cuidado que vai muito além do mero pastiche musical, ou somente da paródia, coisas que foram muito usadas na comédia.
Abaixo, um trecho do episódio 05 da primeira temporada, denominado Sally Returns.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Blogueiro profissional
Agora, além de manter esta casa de boa familia, também sou um dos responsáveis pelo BlackBox, o blog da agência. Sim, exatamente neste período em que o discurso-mor é do falecimento do blog enquanto ferramenta de comunicação, a SPR resolveu ter o seu blog. O motivo? Todas as razões estão convenientemente explicadas por aqui.
O mais engraçado é que apesar de ter uma rotina tradicionalmente avassalada pelo trabalho diário na agência, às voltas com a insanidade da criação publicitária; a criação literária, e, além disto, tentar me regrar para manter o Suburbana (já bastante desprezado, em parte devido ao uso intenso do Twitter), o fato de blogar no BlackBox parece me impregar de uma maior disciplina no uso destas ferramentas sociais. Agora, profissionalmente, sou forçado a me pautar para os posts que faço por lá - e, por tabela, também me pauto para os posts que acho interessante publicar por aqui. Contribui para isto que o BlackBox não seja um "tradicional" blog de agência, somente interessado na comunicação dos trabalhos criados internamente. Há uma grande liberdade criativa por lá, assim como no trabalho diário na agência, o que só contribui para a espontaneidade do mesmo e para a pertinência dos assuntos tratados. Desta forma, BlackBox e Suburbana acabam coexistindo bastante irmamente.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Twittadas não nos derrubarão
É certo que eu tenho andado muito mais por aqui do que por aqui. Publicando uma infinidade de comentários muitas vezes sobre o nada, sobre propaganda, literatura e sobre coisa nenhuma. Sobre o que se chama cultura. Dando pitacos à torto e à direito. Mais ou menos da maneira que sempre pretendi fazer neste blog. Que, no entanto - não assustai-vos, ó meus sete leitores! - não morreu hoje e (por mim, ao menos, um apaixonado por coleções, sobreposições e guarnições), não morrerá jamais. Já se vão 7 anos deste guerreiro blog Suburbana e, mesmo modernices daqui e dali não o levaram à bancarrota. E não haverão de levar.
Brincadeiras à parte, as possibilidades quase infindáveis de exercitar a crítica longa e complexa, de me estender enormemente pelos assuntos que formam meu mundinho, só este blog possibilita. Mesmo nas casas de boa-família onde normalmente estendo meus domínios - nada é mais meu chão do que este blog.
Em breve, portanto, novos textos por aqui.
Brincadeiras à parte, as possibilidades quase infindáveis de exercitar a crítica longa e complexa, de me estender enormemente pelos assuntos que formam meu mundinho, só este blog possibilita. Mesmo nas casas de boa-família onde normalmente estendo meus domínios - nada é mais meu chão do que este blog.
Em breve, portanto, novos textos por aqui.
sábado, 22 de agosto de 2009
A fortaleza da solidão
Como um fósforo riscado num quarto escuro:
Duas meninas brancas, de camisola de flanela e patins de vinil vermelho com cadarços brancos, traçando círculo hesitantes numa calçada de pedra azulada e cheia de rachaduras às setes horas de uma noite de julho.
As meninas murmuravam rimas infantis, eram rimas infantis, com seus cabelos rosa-celeste, finos como névoa, fluindo torrencialmente como se nunca tivessem sido cortados. Os pais das meninas tinham deixado que elas voltassem para a rua depois do jantar, desde que antes vestissem a camisola e escovassem os dentes, para se banharem no entardecer rosa-alaranjado do verão, o ar e a luz que pairavam sobre a rua e sobre todo o bairro de Gowanus como a palma de uma mão ou a superfície interna de uma concha. Os homens porto-riquenhos sentados em engradados em frente à bodega da esquina grunhiram diante da aparição, sem saber ao certo o que estavam vendo. Arreganharam os lábios para mostrar os dentes uns aos outros, um gesto que era uma demonstração de paciência, de tolerância solienciosa. A rua estava repleta de chapinhas semi-enterradas no asfalto amolecido, Yoo-Hoo, Rheingold, Manhatan Special.
As meninas, Thea e Ana Solver, brilhavam como uma chama recém-acesa.
Antes dos Solver, uma velha senhora branca já havia se mudado para o quarteirão imbuída da missão de resgatar um dos sobrados violentados, um sobrado que antes era uma casa de cômodos, substituindo quinze homens apenas consigo mesma e seus pertences encaixotados. Ela foi a primeira, na verdade. Mas Isabel Vendle só se movia furtivamente, como um rumor, um apóstrofo dentro de sua brownstone, onde nesse momento ela se arrastava de bengala entre o apartamento do subsolo e o seu quarto no térreo, na antiga sala de visitas, para o quarto onde ela lia e dormia sob o esfacelado teto de gesso não restaurado. Isabel Vendle era curta feito o nó de um dedo, seu corpo se dobrava ao redor da cartilagem de velhas feridas. Isasbel Vendle relembrava um passeio de carro no lago George num barco latado, escrevia cartas mergulhando a caneta num tinteiro, umedecia selos passando-os numa esponja sobre um pires. O tampo da mesa era de cortiça. Isabel Vendle tinha dinheiro, mas os cômodos do subsolo da casa fediam a casca de fruta e jornal molhado.
As meninas de patins eram a novidade, sob o foco dos holofotes para iniciar o show: os brancos estavam voltando para a Dean Street. Alguns.
.........
Eu ia começar este post falando da extrema semelhança na narrativa dos jovens escritores norte americanos. Os jovens. Não falo de Philip Roth, não falo de Thomas Pynchon nem Don DeLillo, estes bastiões da literatura estadunidense. Refiro-me aos Jonathans (Lethem, de quem retirei o trecho acima, de seu A fortaleza da solidão; Safran Foer, sem dúvida o mais hypado dos três; Franzen - autor do sensacional As correções). Refiro-me, também, a Michael Chabon e mais uns tantos que, no momento, não me vêem. No entanto, acho que isto é assunto para outro post. Fica a provocação. Segue, então, minhas opiniões sobre este calhamaço de Jonathan Lethem.
Repleto de referências pop, a começar pelo título, e quase todas elas do universo dos quadrinhos - ao estilo e trazendo à mente, instantaneamente, o escritor um pouco mais conhecido no Brasil, Michael Chabon - A fortaleza da solidão, de Jonathan Lethem conta a história de amizade de dois garotos que, em comum, só tem três coisas: os nomes de gênios da música, a paixão pela chamada banda desenhada e o fato de serem criados longe de suas mães, por pais fechados em seu próprio universo (e os dois universos repletos da amargura de serem artistas, cada um em seu campo, não-realizados em suas carreiras). De resto, Dylan Ebdus e Mingus Rude são, com o perdão da frase fácil, opostos que se atraem: Dylan, um dos poucos garotos brancos do Brooklin, importunado quase todos os dias pelos garotos negros do bairro: no começo do livro estamos nos anos 70, quando os ideais da integração racial ainda eram um rascunho em um bairro eminentemente negro e latino; Mingus, o negro bem nascido, filho de ex-cantor de soul, que ao invés de escolher ser mais um dos “agressores” de Dylan, prefere deixar sua marca de outra forma, tornando-se um dos mais ousados grafiteiros do Brooklin.
Os quadrinhos são o ponto de encontro de Dylan e Mingus - mesmo que a escola, os hábitos sociais e tudo o mais (afinal, era uma época em que qualquer atitude estava repleta de componentes raciais que poderiam se tornar faísca para maiores conflitos) compactuassem para o contrário. E são os quadrinhos de super-heróis, mas também o grafite, o soul, o funk e o hip-hop, que se tornam combustível para a amizade que se estabelece entre os dois.
Romance de formação com elementos autobiográficos, A fortaleza da solidão é leitura prazerosa não só pelo ritmo envolvente e extremamente seguro com que Lethem quase que documenta a ocupação do Brooklin por brancos de classe média e a tensão racial decorrente disto. O livro é também um registro do passado recente estadunidense, flagrando a difícil relação entre negros e brancos em meio a uma busca da prometida integração racial.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Ficção de Polpa no “A Tarde”
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Papito (ou incursão romântico-gastronômica II)
Toda vez que penso em escrever sobre minhas incursões gastronômicas, sofro a angústia da influência de Diego e Diogo, os responsáveis pelo sempre ótimo Destemperados. É claro que longe do talento e mais longe ainda da pretensão de me equiparar à qualidade - e relevância - do trabalho dos caras, minha análise aqui tem um caráter ainda mais informal que o deles: são somente recuerdos esparsos, impressões pessoalíssimas sobre minhas aventuras nos redutos da boa comida porto alegrense. Tão esparsos que o outro registro desta natureza já tem bastante tempo.Mas a verdade é que, em uma sequencia de dois fins de semana seguidos, fui bater meu ponto no Papito, Bar & Armazém ali na Padre Chagas, 293. Neste período, o ambiente se mostra ainda mais acolhedor do que sempre - julgo eu, um amante inveterado das noites frias, que se regozija em saber e em aproveitar o calor da lareira que o Papito, nas noites de inverno, disponibiliza para quem senta lá dentro, longe da "sacada" que faz tanto sucesso no verão. Não obstante o fato desta área externa ser reduto dos fumantes, o fato é que o ambiente interno ganha todos os pontos nesta época invernal: um grande sofá, onde se fica no maior aconchego, muito em frente à lareira - um convite para o permanecimento, como o fiz nestes dois momentos.
O resultado? Como sou um cara mais ou menos tradicional, não costumo mexer no que é vitória acertada, o que justifica o fato de ceder sempre ao mesmo prato do cardápio: o fatal risoto de cordeiro. Servido em uma panelinha esmaltada, com um pernil de cordeiro adornando o prato, me causa lamentação o fato de não dominar os termos necessários para a devida apreciação estética do mesmo. Um imbecil que sou, não fui capaz de decorar os ingredientes da preparação do mesmo, contidos no menu. Mas eis que este é um instante tão somente de adoração. E não menos do que isto foi o que fiz, adorando cada segundo de degustação daquele prato, ainda mais delicioso acompanhado de um tinto. Como o aconchego é grande e todo o clima propiciado é um convite a não partir, eu e Nani - que quedou-se com um risoto de frango, também delicioso - permanecemos até pôr fim à sobremesa: um petit gateau sensacional, de raspar o chocolate do prato, tal qual o do Constantino, e que só deve perder para o do Le Bistrot.
Muitos pontos para o Papito, que segue incólume como um dos meus locais preferidos em Porto Alegre.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Mais John Fante trabalha no Esquimó
Saiu na Scream&Yell minha crítica ao livro do Mariel Reis, John Fante trabalha no Esquimó. Dá o conferes.
domingo, 5 de julho de 2009
FLIP: cartéis hoteleiros e gripe suína
Mariel Reis entrega o jogo sobre o cartel que se formou em Paraty, com hotéis, pousadas e albergues combinando a venda somente de pacotes (finda a opção de ir para se curtir somente um ou dois dias). Mariel tentou isto e lhe ofereceram a "possibilidade" de pagar agora, não usar todos os seus dias e contar com um "crédito" para passeios futuros (!).
Em momento de gripe suína, o hipocondríaco Mariel também revela seu medo de contrair a dita cuja, em ambiente repleto de estrangeiros, na alternativa infeliz de ter que dividir quarto de albergue com dezenas de gringos vindos não se sabe donde.
Seja por medo de contrair a doença, pela impossibilidade financeira de se ir à cidade ou mesmo pela opção pessoal de não se entregar à festa que, para alguns (desde sempre?) é menos literária e mais de badalação (e qual o problema em se badalar em cidade tão aprazível, se nos intervalos entre uma cachaça e outra se pode escolher ser espectador de debates tão interessantes quanto os das mesas de Tatiana Salem Levy, Rafael Grampá, Milton Hatoum, Gay Talese e tantos outros?), a organização vem procurando - como informa Marcelo Tas - algumas alternativas (como o Canal Flip no YouTube) para "atender a uma gigantesca demanda de quem não pode ou não tem condições de" participar da, atualmente, mais esperada, comentada, odiada e amada festa literária brasileira.
Eu participei da Festa em 2004, na condição de participante do grupo Paralelos, para a oficina de romance ministrada por Milton Hatoum. Era o início de uma festival literário que inflou, se tornou um evento turístico, é bem verdade, e o instante de badalação sobre um mercado que, ao longo do ano e fora do círculo feito de escritores/críticos/leitores ávidos, nunca encontra espelho em nenhum outro momento do ano, nacionalmente falando. A FLIP é um inchaço em um mercado nacional que não tem leitores suficientes e se sustenta de parcas formas, editando os gigantes produtores dos best-sellers e fazendo o leitor médio achar que literatura brasileira é Paulo Coelho. Eu acho saudável que exista um festival desta grandiosidade no Brasil - o que acho elitista são os valores que hoje se cobram para o evento, a loucura faturista que toma conta da cidade (que sempre foi turística, sempre conseguiu explorar naturalmente sua condição de cidade histórica) e o clima de ainda maior distanciamento que isto, consequentemente, acaba causando entre leitor-literatura. Ora, se o festival se torna impraticável para muitos, a literatura naturalmente também, ou não é?
No ano em que fui, não sei se pela prévia organização que Augusto Sales teve, negociando antecipadamente albergues para toda a cambada do Paralelos, ou se pelo caráter ainda em formação que a festa tinha, a idéia que tinha era que tudo era mais natural, simples, acessível Caminhava-se trombando com Scliar, tomava-se vinho ao lado de Jeffrey Eugenides e chutava-se as pedras assim como um distraído Coetzee. É claro que via-se o show de Caetano Veloso e a presença de Chico Buarque então tinha um caráter mais ligado à sua notória figura do que a sua - hoje - notória literatura.
Desde então, venho tentando voltar à feira. A falta de possibilidade de conciliar a agenda dela à minha, profissional e pessoal, tem impossibilitado tal fato. Enquanto isto, sigo achando que tudo inflou demais, os preços estão exorbitantes demais e que tal fato só serve para perpetuar a idéia média de que a literatura está em um altar. Distante demais.
Em momento de gripe suína, o hipocondríaco Mariel também revela seu medo de contrair a dita cuja, em ambiente repleto de estrangeiros, na alternativa infeliz de ter que dividir quarto de albergue com dezenas de gringos vindos não se sabe donde.
Seja por medo de contrair a doença, pela impossibilidade financeira de se ir à cidade ou mesmo pela opção pessoal de não se entregar à festa que, para alguns (desde sempre?) é menos literária e mais de badalação (e qual o problema em se badalar em cidade tão aprazível, se nos intervalos entre uma cachaça e outra se pode escolher ser espectador de debates tão interessantes quanto os das mesas de Tatiana Salem Levy, Rafael Grampá, Milton Hatoum, Gay Talese e tantos outros?), a organização vem procurando - como informa Marcelo Tas - algumas alternativas (como o Canal Flip no YouTube) para "atender a uma gigantesca demanda de quem não pode ou não tem condições de" participar da, atualmente, mais esperada, comentada, odiada e amada festa literária brasileira.
Eu participei da Festa em 2004, na condição de participante do grupo Paralelos, para a oficina de romance ministrada por Milton Hatoum. Era o início de uma festival literário que inflou, se tornou um evento turístico, é bem verdade, e o instante de badalação sobre um mercado que, ao longo do ano e fora do círculo feito de escritores/críticos/leitores ávidos, nunca encontra espelho em nenhum outro momento do ano, nacionalmente falando. A FLIP é um inchaço em um mercado nacional que não tem leitores suficientes e se sustenta de parcas formas, editando os gigantes produtores dos best-sellers e fazendo o leitor médio achar que literatura brasileira é Paulo Coelho. Eu acho saudável que exista um festival desta grandiosidade no Brasil - o que acho elitista são os valores que hoje se cobram para o evento, a loucura faturista que toma conta da cidade (que sempre foi turística, sempre conseguiu explorar naturalmente sua condição de cidade histórica) e o clima de ainda maior distanciamento que isto, consequentemente, acaba causando entre leitor-literatura. Ora, se o festival se torna impraticável para muitos, a literatura naturalmente também, ou não é?
No ano em que fui, não sei se pela prévia organização que Augusto Sales teve, negociando antecipadamente albergues para toda a cambada do Paralelos, ou se pelo caráter ainda em formação que a festa tinha, a idéia que tinha era que tudo era mais natural, simples, acessível Caminhava-se trombando com Scliar, tomava-se vinho ao lado de Jeffrey Eugenides e chutava-se as pedras assim como um distraído Coetzee. É claro que via-se o show de Caetano Veloso e a presença de Chico Buarque então tinha um caráter mais ligado à sua notória figura do que a sua - hoje - notória literatura.
Desde então, venho tentando voltar à feira. A falta de possibilidade de conciliar a agenda dela à minha, profissional e pessoal, tem impossibilitado tal fato. Enquanto isto, sigo achando que tudo inflou demais, os preços estão exorbitantes demais e que tal fato só serve para perpetuar a idéia média de que a literatura está em um altar. Distante demais.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A velha eterna saudável discussão
Oficinas literárias ensinam a criar?
As primeiras notícias sobre oficinas literárias datam da década de 30. Oficialmente, em 1936, Wilbur Schramm deu a aula inaugural da disciplina que se espalharia pelo mundo como Escrita Criativa. Scramm era professor da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, e seu Program in Creative Writing continua até hoje. Por lá já passaram os brasileiros Affonso Romano de Sant’Anna, Charles Kiefer e João Gilberto Noll. A proliferação ds laboratórios de texto gera discussões quanto à eficiência do ensino. Para uns, massificação da literatura, para outros tão válido quanto aprender a tocar um instrumento.
Mais? Passa lá nAs Novas Letras de Porto Alegre.
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