Para encarar seriamente a escrita de ficção é preciso ser tomado por uma crença inabalável da necessidade de que seu livro exista. Nem que seja para você mesmo. E quando esta crença se fortalece, tudo parece até bastante óbvio: é claro que seu livro é necessário, ninguém escreve como você pelo simples fato de que ninguém tem a sua voz literária. Então, seguindo o simples e direto conselho de Neil Gaiman, termine o que você está escrevendo. Faça o que for preciso para terminar. Porque para ler a história que você ainda não leu -- e sabe que não foi escrita, pois ela é sua -- é preciso escrevê-la.
21 janeiro 2014
Toni Morrison à espreita
Para encarar seriamente a escrita de ficção é preciso ser tomado por uma crença inabalável da necessidade de que seu livro exista. Nem que seja para você mesmo. E quando esta crença se fortalece, tudo parece até bastante óbvio: é claro que seu livro é necessário, ninguém escreve como você pelo simples fato de que ninguém tem a sua voz literária. Então, seguindo o simples e direto conselho de Neil Gaiman, termine o que você está escrevendo. Faça o que for preciso para terminar. Porque para ler a história que você ainda não leu -- e sabe que não foi escrita, pois ela é sua -- é preciso escrevê-la.
12 abril 2013
O jogo na obra de Cortázar
No meu caso, a literatura tem sido uma atividade lúdica — com toda a seriedade que para mim tem o jogo. E escrever tem me feito muito feliz. (Julio Cortázar)
Se fizéssemos uma escala de valores dos jogos que fosse dos mais inocentes aos mais refinadamente intencionais, acredito que teríamos de colocar a literatura (e a música, a arte, em geral) entre os de expressão mais alta, mais deseperada (sem o valor negativo desta palavra).
01 junho 2012
Expectativas
“Essa casa onde agora toca o telefone tem dois quartos e uma sala.”
“Gostávamos da casa porque, além de ser espaçosa e antiga (as casas antigas de hoje sucumbem às mais vantajosas liquidações dos seus materiais), guardava as lembranças de nossos bisavós, do avô paterno, de nossos pais e de toda a nossa infância.”
06 junho 2010
Fábulas de ironia e perturbação
18 junho 2009
O segredo de Cortázar
É verdade que este tipo de publicação costuma trazer muito mais informações circundantes à atividade principal do biografado do que propriamente dados que joguem mais luz sobre sua obra. Mas também é verdade que, misto de curiosidade, interesse extremo e a mais profunda obsessão por qualquer coisa que venha a dizer respeito à ele, me agrada muito a existência de uma obra como El secreto de Cortázar (O Segredo de Cortázar), de Emilio Fernández Cicco - um livro que já tem lá a sua idade, publicado há dez anos pela Editorial de Belgrano - mas da qual soube agora, através do blog de Ariel Palacios.Também é fato que será uma dificuldade pôr as mãos neste livro, já esgotado e que, com certeza, não irá se oferecer pra mim num obscuro sebo qualquer. O que me restou, por enquanto, foi me deleitar com o tipo de relato presente na obra, dando conta da tenra idade de Cortázar, sua adolescência tímida e seu início profissional como um imberbe professor de Literatura - e mais um longo caminho até se firmar como excepcional escritor: condição que só foi reconhecida quando exilou-se na França, nos anos 50, tornando-se um grandioso sucesso.
Até chegar a isto, no entanto, temos um Cortázar abandonado pelo pai (também Julio Cortázar - fato que o levou a assinar os primeiros trabalhos como Julio Denis), e com certas dificuldades no campo amoroso. É claro que o livro também abarca as movimentações políticas de Cortázar, quando era visto como um comunista nos seus anos de professor em Chivilcoy e em Mendoza.
Uma das declarações mais engraçadas é de sua irmã, Ofélia, indo ao encontro do reconhecimento de Cortázar como um escritor que evitava concessões. Cortázar não costumava mostrar os contos para que os lessem antes de publicado. “Quando o livro saía ele nos dava de presente e pronto. Alguém compreende os livros de Julio? Você teve paciência para ler ‘O jogo da amarelinha’. Ufa ! Por favor...Eu não consegui ler esse livro jamais...”.
Independente de informações muitas vezes comezinhas que servem tão somente à satisfação de nosso apetite curioso, este livro deve ser incrível não somente para os fãs mais ardorosos do gigante argentino que completaria 95 anos se estivesse vivo, mas até mesmo para quem interessa - e sempre há quem queira - desenhar os paralelos que são possíveis sobre como a formação do então Cortázar tornou-o O Cortázar.














