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Traffic, seu filme lançado também em 2000, foi reconhecido não somente por um minucioso trabalho de direção de fotografia: Soderbergh, que assina a fotografia com o pseudônimo de Peter Andrews, criou palhetas de cores diversas para cada um dos núcleos
14 agosto 2013
O cinema errático de Soderbergh
25 janeiro 2012
Policial pop brazuca
24 fevereiro 2011
Black Swan
02 fevereiro 2011
O vencedor
24 outubro 2010
Breves entrevistas com homens hediondos, o filme
Entre uma e outra entrevista, assuntos que quedam ao estranhamento divertido, como a do sujeito que berra uma longa saudação democrática toda vez que atinge o orgasmo e mesmo investigações mais dolorosas, como o homem que relembra a profissão do pai, encarregado de um banheiro de hotel de luxo, responsável pelo asseio do local, servindo aos mais ricos homens e convivendo com uma rotina de excreções sem nunca reclamar. O fato é que Foster Wallace possui uma escrita irrepreensível, repleta de ironia, capaz de fazer apuradas análises sobre temas como mídia, sexo e o que mais quiser sem cair em proselitismo ou parecer pedante. Condensa em diminutos ou longos textos motivos mais do que suficientes para ter sido considerado pela crítica especializada dos EUA como dono de uma das prosas mais influentes de sua geração. Fato que, corroborado por suas diversas obras (sendo que somente Breves entrevistas... foi até agora traduzida para o Brasil), não será seu suicídio, em 2008, que mudará tão cedo.
19 abril 2010
Fuja de garotinhas meigas
16 março 2010
Micro-resenhas
Tá rindo do quê (Funny People)
*UPDATE [17.03.2010, 2h22min]: Zooey Deschanel está maravilhosa em Sim, Senhor. Maravilhosa.
11 abril 2009
Dúvida

Dúvida (Doubt, 2008) é um grande filme? Isto está claro - embora, para alguns, este fato não seja necessariamente parecer de qualidade - pela cinco indicações que levou para o Oscar (Melhor Atriz, para Meryl Streep; Melhor Ator Coadjuvante, para Philip Seymour Hoffman; Melhor Atriz Coadjuvante, tanto para Amy Adams quanto para Viola Davis e Melhor Roteiro Adaptado, para John Patrick Shanley). Mas, vejamos: que filme com um elenco que inclui Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep (com sua 15ª indicação!) não seria um grande filme? Estarei sendo ingênuo ou por demais crente tão somente da grandiloqüência dramática que atores como estes são capazes de oferecer a um filme, ou estou certo em minha conclusão de que, realmente, é preciso ser um diretor excepcionalmente incompetente para não fazer um grande filme com estes dois atores? E, deixando claro que somente me referi aos dois principais (embora Hoffman conste como coadjuvante, neste, como em todos os seus filmes, sua presença é tão impressionante que é difícil dar-se conta disto), sem fazer menção aos desempenhos fantásticos de Amy Adams e de uma colossal Viola Davis que, em uma(!) cena tem uma interpretação tão arrebatadora que foi o suficiente para não somente garantir sua indicação ao Oscar, mas também para deixar boquiaberto o menos sensível dos admiradores das artes dramáticas.
A grande questão para mim, é a seguinte: Dúvida é um filme sustentado tão somente por atuações extraordinárias (e isto é pouco?), principalmente dos dois atores primeiramente citados (ainda que Meryl Streep esteja entrando naquele perigoso terreno dos grandes atores, no qual o padrão de atuação acabe mostrando mais do próprio ator do que do personagem em questão. Exemplificando: uma pequena coleção de vilões, por exemplo, tem lhe garantido personagens cruéis de construção relativamente semelhantes, que correm o risco de virar clichê em seu currículo. Uma constatação, é claro, repleta de maldade e má vontade. É que costumo ficar atento a pequenices como estas...).
Definitivamente, não é um filme fruto de um roteiro estupendo. Não negando sua origem teatral, Dúvida constrói uma trama relativamente básica para jogar no espectador a premissa da dificuldade de exercitar definições morais em uma situação repleta de incertezas. É esta dúvida que tem a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), a diretora com mãos de aço que acredita no poder do medo e da disciplina, quando se depara com a possibilidade do carismático padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), estar mais do que tentando modificar rígidos costumes típicos de uma escola cristã no ano de 1964: desaba sobre a irmã a dúvida de que talvez o padre esteja abusando sexualmente de um dos alunos da escola St. Nicholas, cenário da trama.
Ao mesmo tempo que sopram os primeiros ventos de mudanças sociais, que permitem a inclusão de um aluno negro na escola, por exemplo, talvez seja este mesmo aluno, Donald Miller (Joseph Foster II), vítima de preconceito de seus colegas e parte mais sensível da história, que esteja sofrendo em sua situação mais do que intolerância racial, mas, posto como aluno "preferido" a ser protegido pelo padre, para a irmã Aloysius começa a ficar claro que esta proteção está excedendo todo e qualquer limite. Uma suspeita que, em verdade, começa a ser levantada pela insegura irmã James (Amy Adams), uma freira inocente e esperançosa que também vê atenção exagerada do padre Flynn à Donald, o coroinha tão completamente envolto nos carinhos do religioso.
O que resta a fazer, então, a uma diretora que sempre levou a escola com mãos de aço? Considerar a possibilidade de tudo ser um grande engano, uma vez que não se tem provas de nada e lidar com a dúvida eterna de estar acobertando um padre abusivo na sua comunidade cristã? Ou, com as mesmas mãos de aço que sempre marcaram suas ações, não titubear e, mesmo sem poder comprovar o fato em questão, empreender uma cruzada para banir o padre da escola? Nunca esquecendo que não há nenhuma evidência a não ser a certeza moral da irmã (ou será somente o julgamento de ser dona de todas as verdades?).
Sendo adaptação de uma peça, que rendeu o Pullitzer ao também dramaturgo (e, aqui, diretor e roteirista do filme) John Patrick Shanley, Dúvida evidencia-se ainda mais intensamente como um filme de atores por sua estrutura metódica, seca, sem concessões a ambientações ou quaisquer outros elementos que tirem a presença dos atores como peça central da tela. Uma das poucas vezes em que isto acontece é, por exemplo, na cena do sermão do padre Flynn, quando se insurge na cerimônia para atacar a intolerância da irmã Aloysius através de palavras inflamadas. Esta, uma das seqüências mais bonitas do filme, da qual se serve Shanley para arejar sua narrativa com tomadas externas, ilustrativas da metáfora do travesseiro soltando penas de cima de um edifício, captadas pela fotografia, de belo efeito visual e funcionalidade dramática, de Roger Deakins, indicado ao Oscar por outro trabalho belíssimo, Foi Apenas Um Sonho, de Sam Mendes.
Um filme de atores, carregado de resquícios teatrais, é bem verdade, mas com um duelo de interpretações memoráveis, somente uma coisa - e perdoem-me o irresistível e inevitável trocadilho - não resta dúvida: é um filme imperdível.
23 fevereiro 2009
Slumdog Millionaire
Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) é sensacional. Não consigo - e nem sei se é preciso - ir muito além desta opinião, agora que terminei de assistir a este muito merecido ganhador de oito estatuetas do Oscar, incluindo os prêmios principais de melhor filme e mehor diretor. Há muito tempo não me via torcendo tão desbragadamente por um protagonista, e tão sentimental e verdadeiramente envolvido com uma história, como fiquei com a trama de Jamal (Dev Patel) em sua epopéia de amor desesperado atrás de Latika (Freida Pinto), em um roteiro costurado com perfeição, que mostra o jovem desde sua infância, ao lado do irmão Salim (Madhur Mittal) até o momento em que participa da versão indiana do programa Quem Quer Ser Um Milionário?.Slumdog Millionaire não é - e isto não demora muito a ficar claro - um filme sobre dinheiro, mas sobre o amor. É por causa dele - do seu amor por Latika - que Jamal acaba sendo acusado de ser um trapaceiro pela polícia, que não crê na possibilidade dele, um jovem desprovido de estudo, órfão favelado, conseguir chegar tão longe neste difícil programa de perguntas e respostas.
Independente do filme mostrar toda a situação de extrema miséria da Índia - preocupação manifestada pela população, mas que não se pode esconder - o país comemora as oito estatuetas, principalmente as três com que foram premiados os artistas indianos A.R. Rahman, por melhor trilha sonora e melhor canção, este último compartilhado com o compositor Gulzar; e também o prêmio de melhor mixagem de som para Resul Pookutty.
Update:
31 janeiro 2009
Chuck Palahniuk de volta ao cinema
Depois de Clube da Luta, agora é a vez de um novo livro de Chuck Palahniuk ganhar adaptação para o cinema. Choke (que imagino, no Brasil, deverá ganhar o mesmo nome da tradução de seu livro, No sufoco). A trama? Como todos os livros de Palahniuk, busca atingir os mais altos graus de insanidade: Vicor Mancini é o protagonista, um trapaceiro traumatizado por uma infância atribulada ao lado da mãe amalucada. Victor, também é um viciado em sexo, que frequenta grupos de ajuda sem a menor pretensão de curar qualquer compulsão, mas sim de conseguir mais parceiras sexuais. Um dos golpes de Victor consiste em fingir sufocar-se com comida nos restaurantes. Comove quem o socorre, contando que passa por dificuldades financeiras, o que, invariavelmente, leva seus salvadores a lhe enviarem dinheiro. Não bastasse tudo isto, Mancini ainda acredita ser descendente direto de Jesus Cristo e trabalha em um parque temático vestido de vassalo irlandês.Ah, e consta que Cantiga de Ninar também está em vias de virar filme.
12 janeiro 2009
Band à part
Sobre o filme, sei que foi filmado durante um período curto de 25 dias, apertado entre produções de dois projetos bem mais caros do diretor. Isto não impediu que o mesmo se tornasse o clássico que é, ainda que subestimado exatamente por seu autor, que considera sua obra menor. Também não impediu que o filme mantivesse os experimentalismos que são marca registrada de Godard – ainda que, é claro, em uma proporção bem mais reduzida.
Adorado por Tarantino que, não por acaso, batizou sua produtora com o nome de A Band Apart, o filme em questão mantém o princípio de Godard de introduzir elementos metalingüísticos na narrativa, sempre lembrando a platéia de que ela estava vendo um filme. Um exemplo disto é uma literal cena de um minuto de silêncio, em que simplesmente todos os sons (trilha sonora, etc) são eliminados abruptamente, abolindo por completo o realismo da cena: na verdade, são 36 segundos, como podemos ver aqui.
Godard se utiliza constante de expedientes deste gênero para jogar na cara do espectador que ele está assistindo a uma obra de ficção.
Além desta, existe em Band à Part outras cenas que se utilizam de truques de edição sonora para pôr por terra a idéia do naturalismo – um acontecimento para o cinema comercial da época. Em determinado momento, Franz (Sami Frey) finge atirar contra o amigo Arthur (Claude Brasseur), imitando momentos clássicos dos filmes de gângst
er pelos quais Godard era apaixonado, e usando o dedo indicador como se fosse um revólver. Godard incluiu aí o som de um disparo real na seqüência, uma tremenda ousadia para a época. Os dois personagens também assobiam a melodia principal da trilha sonora. O momento mais emblemático, pelo qual o filme é constantemente lembrando, no entanto, é o em que Franz e Arthur, mais a Odille, personagem de Anna Karina (então namorada de Godard na época), dançam em um bar. Interrompendo constantemente a trilha sonoro, temos uma narrador onipresente, que descreve, de maneira irônica, os sentimentos dos três personagens durante a cena, realmente intrometendo-se ao realismo da cena, dialogando diretamente com o espectador. A seqüência de dança foi inspiração para Tarantino em Pulp Fiction (1994), na cena de Uma Thurman e John Travolta. Outra cena que serviu de inspiração, desta vez para Bernardo Bertolucci em Os sonhadores, é aquela em que o trio atravessa correndo o Museu do Louvre.Quanto à narrativa, é simples: os dois jovens planejam roubar a casa onde a personagem de Anna Karina trabalha e mora. Não são ladrões profissionais e não dão a mínima para o dinheiro – todo o processo é uma tentativa de vivenciar emoções para espantar o tédio em que vivem: aqui, o comportamento hedonista é um motivador grande neste filme, ainda que não de maneira negativa. Mais do que a narrativa, o que importante neste filme é seu estilo, sempre sabotando com convenções, esclarecendo os pensamentos e intenções dos personagens, deixando muito claro para o espectador que tudo se trata, afinal de contas, de uma farsa.
30 dezembro 2008
Guy Ritchie à procura de Guy Ritchie
Não bastasse o fracasso com seu último filme, Destino Insólito, de 2002, quando resolveu mexer em time que estava ganhando – suas tramas de gângsteres, marcadas por um humor cool e debochado – e empregar a então dona patroa Madonna, Guy Ritchie ainda por cima tem que amargar ser considerado uma cópia piorada de Quentin Tarantino. É o que parte da crítica vem falando a respeito dele ultimamente, principalmente sobre sua última realização, Rock’n’Rolla. Não acredito que seja propriedade de Tarantino uma série de cacoetes que são comuns aos dois: a violência, o nonsense, a incorreção política, a montagem ágil e o entrelaçamento de diferentes linhas narrativas culminando para um final surpreendente. Inclusive creio que por usar e abusar destes estratagemas, muitas vezes Ritchie só consegue repetir a si mesmo. Era, no mínimo, a expectativa que eu tinha antes de assistir ao seu penúltimo longa, Revolver, que fosse mais um projeto à la Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, quem sabe beirando Snatch – Porcos e Diamantes. Vã ilusão.
Em Revolver, Jake Green (Jason Statham, ator-fetiche do diretor) é um jogador que esteve preso durante 7 anos por ter caído nas tramas de Dorothy Macha (Ray Liotta). Agora em liberdade, Jake torna-se imbatível nas mesas de jogo usando uma fórmula que aprendeu com ex-companheiros de prisão.
Definitivamente, Ritchie está mais ambicioso. E é preciso entender por ambição uma atenuação da comédia e do humor negro mais descarado que seus longas anteriores tinham. Além destes estarem muitíssimos reduzidos em Revolver, o diretor também diminui grandemente a mão naquele estilo de edição “espertinha” que já se transformou em marca registrada sua – o que muitas vezes acabava por definir seu trabalho como filmes muito mais de forma do que conteúdo, aí se concentrando quase todo o apelo cool de sua filmografia, até mais intensamente do que na estratégia sempre empregada de personagens com sotaques acentuados, caricatos ou chefões do crime com métodos bizarros. Revolver representa uma tentativa do diretor de dar um passo adiante, introduzindo elementos estranhos ao seu universo, como a utilização de diversos recursos estilísticos, metáforas e alegorias, pretendendo criar uma profundidade maior em um roteiro que (e no final das contas é só isto) se apóia em todos os recursos possíveis para tentar alcançar profundidade onde ela não existe. Pra isso, Ritchie pega pesado e de maneira didática no voice-off, enchendo o espectador com a confusão mental de Green e mais tarde, também com o chefão Macha. A ambição de Ritchie é tanta, que o filme é permeado por citações de filósofos famosos sobre poder, decepção, guerra e xadrez – fora as metáforas religiosas/espirituais de que o filme está repleto (quando uma importante personagem renuncia à violência, Ritchie o enquadra para que o ouro deixado na parede atrás de sua cabeça forme uma auréola. Herança de Madonna, que quase estrelou a película?).
Mas é claro que um diretor como Ritchie, ainda que esteja um tanto perdido, não poderia realizar um filme de todo desprovido de qualidade. E, a bem da verdade, Revolver tem muitas, como a fotografia, que é sensacional, muitas vezes em tom azulado, evidenciando um clima que é muito mais introspectivo dos que os filmes anteriores do diretor. Também é preciso aplaudir o desempenho sensacional de Andre Benjamin (do Outkast), como Avi, que junto com o também enigmático Zach (Vicent Pastore), são como “condutores” ou protetores de Green no seu retorno à cena. O personagem Sorter (Mark Strong) também é uma grande criação de Ritchie, como um atirador quase infalível com uma audição sobre-humana. Não à toa, a seqüência de tiroteio em que Sorter usa sua audição para descobrir inimigos à sua espreita é uma das melhores do filme, com uma edição primorosa. Mesmo, assim, infelizmente, estes são ponto menores em um filme que, assim como muitos dos personagens, parece atirar para todos os lados, errando feio o alvo. Melhor sorte para Rock’n’Rolla.

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